É possível ser feliz (mesmo) com o trabalho?

Recentemente estava vendo um vídeo de um consultor organizacional que comentava sobre a forma simples de identificar se um profissional é feliz ou não com o que faz.


A pergunta sugerida era simples: Se você ganhar na mega-sena o que faria?

A ampla maioria externalizou que “aproveitaria a vida”, exibindo sua fortuna, alguns fariam caridade, outro o que “desse na cabeça”, mas alguns enfaticamente responderam: “eu não passaria nem na porta da minha empresa” ou pior “eu nem diria tchau na empresa”.


Bom, convido vocês para fazer uma reflexão: Vale a pena passar a semana torcendo sempre pelo final de semana? Ser feliz apenas 2 dias ao invés dos 7?  A conta é simples: em média, conforme rege a CLT e práticas normais de trabalho, trabalha-se 8 horas por dia, o que, obviamente, corresponde a 1/3 do dia, outro 1/3 dormimos e ⅓ dedicamos para as demais atividades. Talvez essa seja uma das contas mais fáceis de se fazer, e assustadoramente, feita por poucos que buscam a plenitude profissional e de vida.

Acredito que a felicidade no trabalho está diretamente ligada a expectativa existente. E aí uma provocação: Quais expectativas você tem através do seu trabalho? Que conquistas espera alcançar com ele? Qual a “marca” quer deixar ao passar por determinada área ou empresa? E até uma pergunta mais ampla, mais nobre: qual o legado quer deixar?

Pois trabalhar é a forma mais legítima de realizar nossos sonhos, planos e projetos. E se você entende que o trabalho é apenas uma fonte de riqueza – CUIDADO – você certamente pertence ao grupo que tem síndrome do “domingo à noite” ou “síndrome do Fantástico”, que na segunda-feira já torce para chegar sexta-feira ou que inicia o ano torcendo pela chegada do Natal. Talvez seja a mesma pessoa que em outubro já olhe o calendário do ano seguinte para ver os Feriados… Bem, talvez esteja na hora de reavaliar tudo isso.

E se segundo Clóvis de Barros, felicidade “um instante de vida que você gostaria que durasse um pouco mais”, seu trabalho certamente está bem longe de lhe proporcionar esses momentos. O que fazemos em nosso dia a dia está diretamente ligado ao que buscamos para nossas vidas. A forma como levamos a vida é essencial, senão a vida nos leva, nos empurra, somos meros seres que vagam, sem saber exatamente a contribuição que podemos gerar, o impacto positivo e o potencial nobre que possuímos.

Gostaria de deixar aqui algumas dicas:

  • Tenha um propósito de vida: O que eu vim fazer aqui? Que contribuição quero deixar? Que legado quero deixar? Como quero deixar as coisas após minha partida? Que lembranças quero deixar?
  • Escolha uma carreira apaixonante: Toda profissão tem ônus e bônus, mas pondere isso na balança e veja se você realmente gosta do que faz. Lembre-se de que praticamente 1/3 de sua vida estará envolvido com isso. Não sejamos hipócritas de achar que apenas alegrias surgirão em nossas vidas, por mais assertiva que seja nossa escolha, mas uma coisa é você ter alguns dissabores ao longo do dia, outro é ter apenas alguns pontos bons ao longo do dia.
  • Tenha foco: Alguns profissionais escolhem ir na “onda do mercado” e esquecem sua real vocação e, consequentemente, perdem seu foco e facilmente ficam desanimados. Uma forma muito coerente e lúcida é buscar o auxílio de um bom profissional de Orientação de Carreiras, que vai analisar o perfil da pessoa, inclusive podendo aplicar análises específicas, deixando mais assertivo a busca por um objetivo, reforçando o conceito de foco na carreira.
  • Aprenda a lidar com os conflitos: Entenda que eles fazem parte do nosso dia a dia e a sabedoria está em reconhecer e buscar solucioná-los. Um bom clima organizacional, pessoas motivadas e foco no positivo, ajudam sensivelmente para que seu dia termine bem. Essa postura também ajuda, e muito, a evitar a sensação de “que horror, tenho que ir ao trabalho” todo dia pela manhã. Nem sempre é fácil, mas é um passo fundamental.
  • Construção relações saudáveis: Não me refiro a ter muitos amigos em redes sociais (seja Linkedin, Facebook, Instagram) me refiro a relacionar-se verdadeiramente com as pessoas. Dia desses ouvi uma frase engraçada “ter muitos amigos no Facebook é como ser rico no Jogo do Banco Imobiliário”. Portanto, dedique tempo para interagir no mundo real com seus colegas de trabalho, amigos e familiares. Tenha preocupação sincera em ajudar, em mostrar-se leal, companheiro e cortês. Nesta época de tantas relações virtuais, talvez valha pensar sobre o exposto acima: melhor ter 2 ou 3 amigos fiéis do que 200 ou 300 “amigos” que jamais estreitam relacionamento. E ainda: essas relações saudáveis são conquistas, leva-se tempo para consolidar, para solidificar, mas definitivamente valem a pena.
  • Defina e invista em sua carreira: Se você “ainda” não está na carreira desejada, trace um plano para alcançá-la. Que cursos precisa buscar, que experiência precisa obter, que idiomas precisa aperfeiçoar, enfim, use uma ferramenta simples (indico o conhecido 5W2H) mas que você possa visualizar sua trilha de desenvolvimento. Um conceito muito especial neste tópico é tratar a carreira como um projeto, um projeto de vida. Sabemos que existem muitas inconstâncias e novidades dia após dia, mas ter em mente que uma carreira bem desenhada e estruturada ajuda a evitar dissabores é importante. Recentemente ouvi uma frase que dizia “se você não fizer seu próprio planejamento, provavelmente alguém o fará, e você será parte do planejamento de outro”.
  • Seja otimista e agradeça: Algumas pessoas focam sempre no que ainda falta para que “sejam felizes”  Faço um convite para você reconhecer e agradecer por tudo aquilo que você já tem, tudo que já conquistou, para as amizades que construiu, para a família que tem. Pense que hoje será sua oportunidade de fazer melhor do que ontem. Esse senso de gratidão e a alegria em viver, em reconhecer conquistas, por menores que sejam, tornam a vida com maior significado, com mais leveza e satisfação. Pense a respeito e… realmente seja feliz!


Escrito por: Lenir Nunes – Headhunter & Conselheira de Carreira.