Como você se sente com a pergunta acima? Fácil responder?
Eu sinceramente acho difícil.
Permeamos nossos dias achando que somos supermulheres. Tentando dar conta de tudo: entregar o relatório em dia, levar os filhos nas atividades extras, sair para jantar com o marido, manter a casa impecável, manter a academia em dia, tomar café com as amigas, ufa, e ficar sempre linda.

Quem me acompanha, sabe que a maternidade me transformou. Que um dos grandes desafios no início foi entender que a “dona” da minha agenda não sou mais eu, mas muitas vezes, “elas”. Demorei para me dar conta disso, minha 1ª filha tinha mais de um ano quando eu a deixei levemente febril, devidamente medicada, na escolinha para ir em uma reunião em uma empresa que sonhava anos em ter como cliente.
Lembro-me de ter chegado para a reunião e pedir permissão para deixar o celular em cima da mesa e que, caso o telefone tocasse da escolinha, seria sobre o estado de saúde da minha filha. E o que aconteceu? Ele tocou na 1ª hora da reunião, agradeci a compreensão e fui buscá-la. Na mesma hora pensei: “agora sim, que nunca mais me chamam!” E para minha surpresa, o gerente solidário me mandou um e-mail no mesmo dia, perguntando sobre minha filha e que aguardaria minha disponibilidade para nova conversa.
Percebi que minhas agendas cheias, minhas viagens, cafés, almoços, presença em eventos ou mesmo na sala de aula, estava precisando ser revisto e priorizado.
Não foi fácil, até porque cada ação era intencional e no fundo eu gostava de tudo aquilo, me sentia útil, produtiva, viva… mas estava começando a “cair a ficha” que a maternidade era agora meu novo e eterno papel, e que por um tempo significativa iria demandar muito mais que um “encaixe” na agenda. Veio minha segunda filha e o desafio dobrou.
E mais uma vez me vejo refletindo sobre esse papel incrível de ser mulher, de poder gerar e poder se reinventar… aprendo todos os dias, busco recursos dentro de mim, em Deus, em experiências de amigas, em livros, mas o mais libertador mesmo foi compreender que “eu não crio filhas mas as próximas mães”, isso me trouxe um senso diferente do meu papel.
Comecei a me desafiar a desconstruir esse papel de supermulher, que dá conta de tudo, que com muita frequência é questionada: “Mas você dorme?”rs… tenho exercitado o “não ficou perfeito como eu gostaria? Tá tudo bem também.”, a agenda da semana não teve todos os “checks” planejados por conta de uma febre ou tempo de brincadeira que se estendeu? Tudo bem? Em outro momento recupero. ‘Abri mão’ de papéis que amava desempenhar, um deles como professora. Doeu. Mas esse tempo com elas, nessa 1ª infância, nessa formação de caráter, não voltam, quero propor memorias incríveis, experiência a partir de simples momentos não de compras realizadas.

Desafio como mãe e como casal, pois somos um casal que convive em casa, no trabalho, nos projetos sociais, enfim tudo juntos, e quando vejo o modelo tradicional daquelas férias de 30 dias, que talvez nunca ocorram, tentamos dentro do nosso contexto proporcionar finais de semanas e pequenos feriados em pequenos oásis repleto de memórias para elas.
Impossível ser uma supermulher? Com certeza… e para que, se eu posso ser uma mulher normal propondo memórias incríveis e fazendo coisas surpreendentes.
